13 setembro 2009

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12 setembro 2009

Lula: um convite imerecido

Inexplicavelmente, hoje recebi este convite para uma premiação ao Lula , que acontecerá no dia 21 de setembro, no Hotel Waldorf Astoria, em New York. Os acadêmicos do Woodrow Wilson International Center vão agraciar V.Excia, o Presidente do Brasil, com o prêmio por serviços notáveis prestados ao país.

Um fato que me deixa estupefata é perceber como a mídia internacional só percebe o que quer. Baseados no índice de “aceitação popular” que Lula apresenta, e com os fundamentos econômicos estáveis e fortalecidos, que herdou de seu predecessor, foi o que bastou para que os acadêmicos de uma das mais reputadas instituições americanas entendessem que o Lula deveria receber essa distinção.

De onde vem estes números de tal aceitação popular? Do campo? Dos subúrbios? Do empresariado? Sugiro que estas pesquisas deixem de ser anônimas...e venham com nome, profissão, idade e CPF dos respondentes. Há muito tempo não encontro ninguém favorável ao Lula. Eu mesma nunca fui abordada para uma entrevista dessas por qualquer instituto de pesquisa no Brasil! E me parece que ninguém acredita ou respeita o presidente do Brasil. Só deparo com pessoas deplorando suas falcatruas, pusilanimidade e seu concluio com a corrupção e roubos no Congresso Nacional. Portanto, só posso crer que estes números estão totalmente manipulados...

Me surpreende, sobremaneira, que a instituição ou a mídia internacional não tenham se dado ao trabalho de fazer uma pesquisa própria, isenta e independente, com a população, para ter certeza que este prêmio era merecido.
Na verdade, me parece simplesmente o velho jogo de poderes, onde o bajulamento de hoje poderá trazer, futuramente, o grande e decisivo aliado dos Estados Unidos na América Latina, em contraponto ao barulhento e provocativo Chavez, agora que está envolvido em negociatas com o Iran. Se este for realmente o motivo por trás desta premiação... menos mal. Mas se for por convicção de que Lula realmente mereceu este prêmio por “serviços prestados”, este convite é totalmente desmerecido para muitos brasileiros. A ótica americana está mais distorcida do que pensávamos. Abaixo, o convite na íntegra...
- Tess

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Convite:
Woodrow Wilson International Center for Scholars Woodrow Wilson Jantar de premiação em honra do Presidente brasileiro Luiz Inácio da Silva. 10 de setembro de 2009

WASHINGTON – Os Acadêmicos do Woodrow Wilson International Center da instituição Smithsonian apresentarão o Prêmio Woodrom Wilson por Serviço Prestado à sua Excia Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República Federativa do Brasil, em um jantar celebrado em 21 de setembro de 2009, no Hotel Waldorf-Astoria de Nova York. Os senhores Rex W. Tillerson, Chairman e Presidente da Exxon Mobil e Eike F Batista, Chairman e Presidente do grupo brasileiro EBX serão os co-anfitriões para este prestigioso evento.

“O presidente Lula personifica os atributos que nós procuramos no Woodrow Wilson Center. Ele é um líde político que contribuiu decisivamente para acabar com o regime militar e reabrir a estrada da democracia para seu país. Este prêmio é um tributo a um chefe de estado que tem fortalecido imensamente o Brasil internamente e o elevado a nível internacional”, disse Lee H. Hamilton, presidente e diretor do Woodrom Wilson Center.

Lula foi eleito presidente em 2002 e re-eleito em 2006, recebendo a maioria dos votos de qualquer outro presidente brasileiro. Durante toda a sua presidência ele demonstrou uma resoluto comprometimento aos ideais de democracia e provou a um mundo céptico que não há contradição entre um política econômica vigorosa e uma agenda social progressiva. Como presidente, ele reduziu drasticamente a fome no Brasil com o seu programa “Fome Zero” e instituiu políticas para ajudar o Brasil a sair de devedor a credor do capital internacional pela primeira vez. Antes de se tornar Presidente do Brasil, Lula serviu como presidente da União dos Trabalhadores Siderúrgicos em São Paulo e fundou o Partido dos Trabalhadores.

Esta é somente a terceira vez que o Prêmio Woodrom Wilson por Serviço Público é concedido a um brasileiro e a primeira vez que é dado a um político. Os honoráveis anteriores foram o jornalista Ruy Mesquita, diretor do jornal O Estado de São Paulo, e doutora Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança. Os presidentes do Conselho de Diretores da Embraer, Maurício Botelho, e o do Grupo Gerday, Jorge Gerday, receberam o prêmio Woodrom Wilson por Cidadania Corporativa em 2006 e 2007, respectivamente.

O Centro Acadêmico do Woodrow Wilson International, fundado pelo Congresso dos Estados Unidos em 1968 e sediado em Washington D.C., é o memorial nacional existente do 28th Presidente dos Estados Unidos. O Centro é uma das três instituições americanas (juntamente com a Galeria Nacional de Arte e o Centro Kennedy de Artes Teatrais) criadas por estatuto do Congresso para trabalhar numa missão nacional dentro da Instituição Smithsonian, e é governada pelo seu próprio Conselho de Trustees independente, sugeridos pelo Presidente dos Estados Unidos.

Uma instituição não partidária mantida por fundos públicos e privados, o Centro explora assuntos nacionais e globais através de uma diálogo livre, aberto e informativo. O honorável Joseph B Gildenhorn é o Presidente do Conselho de Trustees, e serviu anteriormente como Embaixador dos Estados Unidos na Suiça (1983-1993). Ele apresentará o prêmio ao presidente Lula. L H Hamilton, presidente e diretor do Woodrom Wilson Center, foi membro do Congresso por 34 anos e serviu como vice-presidente da Comissão independente do 11 de Setembro. Ele também serviu como co-presidente do Grupo de Estudos do Iraque com o ex-Secretário de Estado James Baker.
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Tradução livre:
Tess Carneiro
New York - Rio

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11 setembro 2009

A caminho dos 99,9999995%


Quando li esse “desabafo” de Gilberto Geraldo Garbi tive um choque! Percebi que a indignação dos brasileiros está muito mais generalizada do que imaginava. Já atingiu também os níveis mais altos de gerenciamento do setor privado. Até então, achava que estes empresários jamais se envolveriam em críticas políticas, ou que sequer uma opinião “independente” dentro do empresariado seria publicada. Como ele, não consigo entender de onde estes números de pesquisa favoráveis ao Lula estão sendo buscados. E foi com um grande prazer e orgulho que assimilei palavras tão reais e contundentes. Julgue por si mesmo...
- Tess ______________________________________________

Gilberto Geraldo Garbi foi um dos alunos classificados a seu tempo como UM DOS MELHORES ALUNOS DE MATEMÁTICA que já haviam adentrado o ITA, entre outras honrarias que recebeu daquela instiuição. Depois de graduado, desenvolveu carreira na TELEPAR, onde chegou a Diretor Técnico e Diretor Presidente, sendo depois Presidente da TELEBRAS.

(Carta enviada ao Lula)
Gilberto Geraldo Garbi1 16/02/2009
"O que penso desse Governo"

Há poucos dias, a imprensa anunciou amplamente que, segundo as últimas pesquisas de opinião, Lula bateu de novo seus recordes anteriores de popularidade e chegou a 84% de avaliação positiva.
É, realmente, algo “nunca antes visto nesse país” e eu fiquei me perguntando o que poderemos esperar das próximas consultas populares. Lembro-me de que quando Lula chegou aos 70% achei que ele jamais bateria Hitler, a quem, em seu auge, a cultíssima Alemanha chegara a conceder 82% de aprovação.

Mas eu estava enganado: nosso operário-presidente já deixou para trás o psicopata de bigodinho e hoje só deve estar perdendo para Fidel Castro e para aquele tiranete caricato da Coreia do Norte, cujo nome jamais me interessei em guardar. Mas Lula tem uma vantagem sobre os dois ditadores: aqui as pesquisas refletem verdadeiramente o que o povo pensa, enquanto em Cuba e na Coreia do Norte as pesquisas de opinião lembram o que se dizia dos plebiscitos portugueses durante a ditadura lusitana: SIM, Salazar fica; NÃO, Salazar não sai; brancos e nulos sendo contados a favor do governo...(Quem nunca ouviu falar em Salazar, por favor, pergunte a um parente com mais de 60).

Portanto, a popularidade de Lula ainda “tem espaço” para crescer, para empregar essa expressão surrada e pedante, mas adorada pelos economistas. E faltam apenas cerca de 16% para que Lula possa, com suas habituais presunção e imodéstia, anunciar ao mundo que obteve a unanimidade dos brasileiros em torno de seu nome, superando até Jesus Cristo ou outras celebridades menores que jamais conseguiram livrar-se de alguma oposição... Sim, faltam apenas 16% mas eu tenho uma péssima notícia a dar a seu hipertrofiado ego: pode tirar o cavalinho da chuva, cumpanhero, porque de 99,9999995% você não passa.

Como você não é muito chegado em Aritmética, exceto nos cálculos rudimentares dos percentuais sobre os orçamentos dos ministérios que você entrega aos partidos que constituem sua base de sustentação no Congresso, explico melhor: o Brasil tem 200.000.000 de habitantes, um dos quais sou eu. Represento, portanto, 1 em 200.000.000, ou seja, 0,0000005% enquanto os demais brasileiros totalizam os restantes 99,9999995%. Esses, talvez, você possa conquistar, em todo ou em parte. Mas meus humildes 0,0000005% você jamais terá porque não há força neste ou em outros mundos, nem todo o dinheiro com que você tem comprado votos e apoios nos aterros sanitários da política brasileira, não há, repito, força capaz de mudar minha convicção de que você foi o pior dentre todos os presidentes que tive a infelicidade de ver comandando o Brasil em meus 65 anos de vida.

E minha convicção fundamenta-se em um fato simples: desde minha adolescência, quando comecei a me dar conta das desgraças brasileiras e a identificar suas causas, convenci-me de que na raiz de tudo está a mentalidade dominante no Brasil, essa mentalidade dos que valorizam a esperteza e o sucesso a qualquer custo;
dos que detestam o trabalho e o estudo;
dos que buscam o acesso ao patrimônio público para proveito pessoal;
dos que almejam os cabides de emprego, as sinecuras e os cargos fantasmas;
dos que criam infindáveis dinastias nepotistas nos órgãos públicos;
dos que desprezam a justiça desde que a injustiça lhes seja vantajosa;
dos que só reclamam dos privilégios por não estar incluídos entre os privilegiados;
dos que enriquecem através dos negócios sujos com o Estado;
dos que vendem seus votos por uma camiseta, um sanduíche ou, como agora, uma bolsa família;
dos que são de tal forma ignorantes e alienados que se deixam iludir pelas prostitutas da política e beijam-lhes as mãos por receber de volta algumas migalhas do muito que lhes vem sendo roubado desde as origens dos tempos;
dos que são incapazes de discernir, comover-se e indignar-se diante de infâmias.

Antes e depois de mim, muitos outros brasileiros, incomparavelmente melhores e mais lúcidos, chegaram à mesma conclusão e, embora sejamos minoria, sinto-me feliz e honrado por estar ao lado de Rui Barbosa. Já ouviu falar nele? Como você nunca lê, eu quase iria sugerir-lhe que pedisse a algum de seus incontáveis assessores que lhe falasse alguma coisa sobre a Oração aos Moços... Mas, esqueça... Se você souber o que ele, em 1922, disse de políticos como você e dos que fazem parte de sua base de sustentação, terá azia até o final da vida.

Pense a maioria o que quiser, diga a maioria o que disser, não mudarei minha convicção de que este País só deixará de ser o que é – uma terra onde as riquezas produzidas pelo suor da parte honesta e trabalhadora é saqueada pelos parasitas do Estado e pelos ladrões privados eternamente impunes – quando a mentalidade da população e de seus representantes for profundamente mudada. Mudada pela educação, pela perseverança, pela punição aos maus, pela recompensa aos bons, pelo exemplo dos governantes.

E você Lula, teve uma oportunidade única de dar início à mudança dessa mentalidade, embalado que estava com uma vitória popular que poderia fazer com que o Congresso se curvasse diante de sua autoridade moral, se você a tivesse. Você teve a oportunidade de tornar-se nossa tão esperada âncora moral, esta sim, nunca antes vista nesse País. Mas não, você preferiu o caminho mais fácil e batido das práticas populistas e coronelistas de sempre, da compra de tudo e de todos. Infelizmente para o Brasil, mas felizmente para os objetivos pessoais seus e de seu grupo, você estava certo: para que se esforçar, escorado apenas em princípios de decência, se muito mais rápido e eficiente é comprar o que for necessário, nessa terra onde quase tudo está à venda?

Eu não o considero inteligente, no nobre sentido da palavra, porque uma pessoa verdadeiramente inteligente, depois de chegar aonde você chegou, partindo de onde você partiu, não chafurdaria nesse lamaçal em que você e sua malta alegremente surfam, nem se entregaria a seu permanente êxtase de vaidade e autoidolatria. Mas reconheço em você uma esperteza excepcional: nunca antes nesse País um presidente explorou tão bem, em proveito próprio e de seu bando, as piores qualidades da massa brasileira e de seus representantes. Esse é seu legado maior, e de longa duração: o de haver escancarado a lúgubre realidade de que o Brasil continua o mesmo que Darwin encontrou quando passou por essas plagas em 1832 e anotou em seu diário: “Aqui todos são subornáveis”.

Você destruiu as ilusões de quem achava que havíamos evoluído em nossa mentalidade e matou as esperanças dos que ainda acreditavam poder ver um Brasil decente antes de morrer. Você não inventou a corrupção brasileira, mas fez dela um maquiavélico instrumento de poder, tornando-ageneralizada e fazendo-a permear até os últimos níveis da Administração. O Brasil, sob você, vive um quadro que em medicina se chamaria de septicemia corruptiva. Peça ao Marco Aurélio para lhe explicar o que é isso. Você é o sonho de consumo da banda podre desse País, o exemplo que os funcionários corruptos do Brasil sempre esperaram para poder dar, sem temores, plena vazão a seus instintos. Você faz da mentira e da demagogia seu principal veículo de comunicação com a massa. A propósito, o que é que você sente, todos os dias, ao olhar-se no espelho e lembrar-se do que diz nos palanques? Você sente orgulho em subestimar a inteligência da maioria e ver que vale a pena?

Você mentiu quando disse haver recebido como herança maldita a política econômica de seu antecessor, a mesma política que você manteve integralmente e que fez a economia brasileira prosperar.
Você mentiu ao dizer que não sabia do Mensalão.
Mentiu quando disse que seu filho enriqueceu através do trabalho.
Mentiu sobre os milhões que a Ong 13, de sua filha, recebeu sem prestar contas.
Mentiu ao afastar Dirceu, Palocci, Gushiken e outros cumpanheros pegos em flagrante.
Mente quando, para cada platéia, fala coisas diferentes, escolhidas sob medida para agradá-las.
Mentiu, mente e mentirá em qualquer situação que lhe convenha.

Por falar em Ongs, você comprou a esquerda festiva, aquela que odeia o trabalho e vive do trabalho de outros, dando-lhe bilhões de reais através de Ongs que nada fazem, a não ser refestelar-se em dinheiro público, viajar, acampar, discursar contra os exploradores do povo e desperdiçar os recursos que tanta falta fazem aos hospitais.

Você não moveu uma palha, em seis anos de presidência, para modificar as leis odiosas que protegem criminosos de todos os tipos neste País sedento de Justiça e encharcado pelas lágrimas dos familiares de tantas vítimas. Jamais sua base no Congresso preocupou-se em fechar ao menos as mais gritantes brechas legais pelas quais os criminosos endinheirados conseguem sempre permanecer impunes, rindo-se de todos nós. Ao contrário, o Supremo, onde você tem grande influência, por haver indicado um bom número de Ministros, acaba de julgar que mesmo os condenados em segunda instância podem permanecer em liberdade, até que todas as apelações, recursos e embargos sejam julgados, o que, no Brasil, leva décadas. Isso significa, em poucas palavras, que os criminosos com dinheiro suficiente para pagar os famosos e caros criminalistas brasileiros podem dormir sossegados, porque jamais irão para a cadeia. Estivesse o Supremo julgando algo que interessasse a seu grupo ou a suas inclinações ideológicas, certamente você teria se empenhado de corpo e alma.

Aliás, Lula, você nunca teve ideais, apenas ambições. Você jamais foi inspirado por qualquer anseio de Justiça. Todas as suas ações, ao longo da vida, foram motivadas por rancores, invejas, sede pessoal de poder e irrefreável necessidade de ser adorado e ter seu ego adulado. Seu desprezo por aquilo que as pessoas honradas consideram Justiça manifesta-se o tempo todo:
  • quando você celeremente despachou para Cuba alguns pobres desertores que aqui buscavam a liberdade;
  • quando você deu asilo a assassinos terroristas da esquerda radical;
  • quando você se aliou à escória do Congresso, aquela mesma contra quem você vociferava no passado;
  • quando concedeu aumentos nababescos a categorias de funcionários públicos já regiamente pagos, às custas dos impostos arrancados do couro de quem trabalha arduamente e ganha pouco;
  • quando você aumentou abusivamente as despesas de custeio, sabendo que pouquíssimo da arrecadação sobraria para os investimentos de que tanto carece a população;
  • quando você despreza o mérito e privilegia o compadrio e o populismo; e vai por aí...

Justiça, ora a Justiça, é o que você pensa... Você, que pensa estar sempre certo, você que subtrai os valores, que troca o certo pelo errado, camuflando a aparência do mal em aparência do bem. Bem: o bem é o que você e os petistas pensam...

Você tem dividido a nação, jogando regiões contra regiões, classes contra classes e raças contra raças, para tirar proveito das desavenças que fomenta. Aliás, se você estivesse realmente interessado, como deveria, em dar aos pobres, negros e outros excluídos as mesmas oportunidades que têm os filhos dos ricos, teria se empenhado a fundo na melhoria da saúde e do ensino públicos.

ENSINO e EDUCAÇÃO de excelência, a partir da base. Mas você, no íntimo, despreza o ensino, a educação e a cultura, porque conseguiu tudo o que queria, mesmo sendo inculto e vulgar. Além disso, melhorar a educação toma um tempo enorme e dá muito trabalho, não é mesmo? E se há coisa que você e o Partido dos Trabalhadores definitivamente detestam é o trabalho: então, muito mais fácil é o atalho das cotas, mesmo que elas criem hostilidades entres as cores, que seus critérios sejam burlados o tempo todo, numa odiosa e verdadeira segregação racial.

A Imprensa faz-lhe pouca oposição porque você a calou, manipulando as verbas publicitárias, pressionando-a economicamente e perseguindo jornalistas. O que houve entre o BNDES e as redes de televisão? O que você mandou fazer a Arnaldo Jabor, a Boris Casoy, a Salete Lemos? Essa técnica de comprar ou perseguir é muito eficaz. Pablo Escobar usou-a com muito sucesso na Colômbia, quando dava a seus eventuais opositores as opções: “O plata, o plomo”. Peça ao Marco Aurélio para traduzir. Ele fala bem o espanhol.
Você pode desdenhar tudo aquilo que aqui foi dito, como desdenha a todos que não o bajulem. Afinal, se você não é o maior estadista do planeta, se seu governo não é maravilhoso, como explicar tamanha popularidade? É fácil: políticos, sindicatos, imprensa, ONGs, movimentos sociais, funcionários públicos, miseráveis, você comprou com dinheiro, bolsas, cotas, cargos e medidas demagógicas. Muita gente que trabalha, mas desconhece o que se passa nas entranhas de seu governo, satisfez-se com o pouco mais de dinheiro que passou a ganhar, em consequência do modesto crescimento econômico que foi plantado anteriormente, mas que caiu em seu colo. Tudo, então, pode se resumir ao dinheiro e grande parte da população parece estar disposta a ignorar os princípios da honradez e da honestidade e a relevar as mentiras, a corrupção, os desperdícios, os abusos e as injustiças que marcam seu governo em troca do prato de lentilhas da melhoria econômica.

É esse, em síntese, o triste retrato do Brasil de hoje... E, como se diz na França, “l’argent n´est tout que dans les siècles où les hommes ne sont rien”. Você não entendeu, não é mesmo? Então pergunte à Marta. Ela adora Paris e há um bom tempo estamos sustentando seu gigolô franco-argentino...
Gilberto Geraldo Garbi
16/02/2009

Obs: Gilberto, agora já somos 0,0000025%....pois eu entrei na sua contagem! Se quiser encabeçar uma pesquisa séria podemos fazer isso pela internet; já que as publicadas pela mídia rezam pela cartilha do governo...

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10 setembro 2009

Campanha FICHA LIMPA

VOTO NÃO TEM PREÇO, TEM CONSEQUÊNCIAS
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Pessoal,
Por favor, enviem esse pedido online para todos os seus amigos, familiares, empregados, vizinhos... Para aqueles que não possuem acesso à Internet, imprimam o formulário e distribuam a quem puder. É o maior favor que poderá fazer Justify Fullao seu próprio país nas próximas eleições.

Leiam também, participem e promovam mais esse movimento “Campanha Ficha Limpa”, que o B.I.G endossa totalmente, no site: www.mcce.org.br. Precisamos de no mínimo 1 milhao e 300 assinaturas!!!! (1% do eleitorado brasileiro)
Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos que pretende tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidades, ou seja, de quem não pode se candidatar.
O PL de iniciativa popular precisa ser votado e aprovado no Congresso Nacional para se tornar lei e passar a valer em todas as eleições brasileiras. Para isso, é preciso que 1% do eleitorado brasileiro assine esse Projeto, o equivalente a um milhão e trezentas mil assinaturas.

Para participar da Campanha Ficha Limpa é preciso imprimir o formulário de assinatura. Depois de assinar e registrar o número do título de eleitor no documento, basta enviá-lo para o endereço:

MCCE – Campanha Ficha Limpa
SAS, Quadra 5, Lote 2, Bloco N, 1º andar
Brasília, DF - CEP. 70.438-900

Abaixo, acesse o link abaixo no YouTube para ver um filme de apresentação sobre esse movimento.

http://www.youtube.com/watch?v=Irs8X_h6REg

Estamos resgatando nossa cidadania.
Desta vez vai dar certo!!!
Obrigada,

- Tess
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07 setembro 2009

OAB defende recall dos Senadores

Blog de Stephen Kanitz

A OAB defende a renúncia coletiva dos 81 senadores, algo que previ que seria uma consequência desta crise, em "Precisamos de Um Senado?". Melhor ainda foi ver a defesa do Recall, que defendi no artigo da Veja, "As Vantagens da Democracia Negativa", que reproduzo aqui novamente.

As 37 formas de democracia listadas na Wikipédia são basicamente variações sobre o mesmo tema: eleitores votam diretamente nas questões que lhes interessam, como na Grécia, ou votam em representantes que vão administrar e decidir por eles, como no Brasil. Crescem a cada eleição a desilusão e a sensação de que a democracia não está funcionando, e só permanece como instituição "porque não há forma melhor". Existe uma outra forma de democracia, que não é listada na Wikipédia, e que vou chamar de democracia negativa. Ela existe, e já foi implantada milhares de vezes, normalmente nas empresas de capital aberto.

Nelas, os acionistas não elegem seus representantes nem votam nas questões do dia-a-dia empresarial. O presidente, e algumas vezes toda a diretoria, é escolhido por um conselho de acionistas composto de presidentes de outras empresas, líderes comunitários e especialistas. Essa escolha é feita levando-se em conta a capacidade administrativa dos candidatos, a experiência prática efetiva e a escolaridade técnica. Amador não entra. Muitas vezes é um funcionário com anos de casa, que já sabe exatamente o que deve ser feito, desde o primeiro dia.

Na democracia negativa o presidente não é eleito pelas promessas de campanha ou pelas suas projeções de lucro. Os acionistas nem têm como escolher o mais charmoso, o mais simpático ou o mais mentiroso. Os acionistas, os legítimos donos da empresa, apesar de qualificados, sabem que não têm tempo para analisar cada um dos candidatos, e sabem que escolher no tapa, na semana anterior, não é uma boa decisão. Sabem também que não têm as competências necessárias para decidir quem seria o melhor administrador da "máquina" com todas as suas peculiaridades. Não se vêem campanhas eleitorais nessas empresas, que não gastam fortunas em eleições, embora sejam justamente as que mais dinheiro teriam para isso. O conselho de administração escolhe quem é bom no batente e não quem é bom de voto.

Nas democracias negativas existe, sim, o direito de voto, mas se vota contra, daí o nome. Os acionistas têm o direito de chamar uma assembléia extraordinária a qualquer momento e demitir o presidente (mal) escolhido – o que acontece com freqüência. Demite-se também o conselho que o escolheu. Hoje em dia, na democracia, também se vota contra, especialmente no segundo turno, cada vez com mais freqüência, o que gera enorme frustração na população, para a alegria do candidato eleito. Nenhum conselho de empresas escolhe o menos ruim para tocar a companhia, como muitas vezes fazemos.

Não confunda com o impeachment, em que há a exigência de um crime definido. Na democracia negativa basta os acionistas mudarem de idéia ou ficarem insatisfeitos. Poderíamos caminhar na direção de uma democracia negativa no Brasil, aproveitando o espírito desse conceito, sem ter de copiar o que as empresas de capital aberto fazem. Poderíamos reconhecer os votos nulo e em branco como sendo votos contra. Se 50% dos votos fossem em branco, mostrando nossa insatisfação com os candidatos apresentados pelos caciques políticos sem nenhum critério profissional, nova eleição seria convocada com novos candidatos, até acertarmos.Outra característica da democracia negativa que poderíamos facilmente adotar é a obrigatoriedade de um mestrado em administração de todo candidato a um cargo executivo. Atualmente a democracia legitima profissionais de outras áreas a exercer ilegalmente a profissão de administrador, quando deveria ser o contrário. Alguém que está disposto a ser prefeito ou governador por oito anos não tem desculpa para não estudar e se preparar por dois anos num mestrado de administração. Amadorismo sai caro. Curiosamente, 23 milhões de brasileiros já aceitam a democracia negativa, acionistas que são da Petrobras, da Vale e de outras companhias. Precisamos discutir e aprimorar a nossa democracia, reduzir as promessas e a gastança, e melhorar a qualidade dos candidatos para estancar a visível deterioração dessa preciosa instituição.
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B.I.G se apresenta...

07 Setembro 2009

Este é um grupo de todos os brasileiros, no Brasil ou no Exterior, buscando a total interação profissional, social e política de seus participantes. Grupo de pessoas engajadas e analíticas, seriamente envolvidas na busca de alternativas para o aperfeiçoamento do panorama sócio-político do Brasil, com a instauração definitiva da responsabilidade e justiça social, da transparência e ética em todos os níveis, da conservação do meio-ambiente e do exercício pleno da cidadania brasileira.
Este grupo nasceu de uma “angústia” de expatriados, e que encontrou imediata ressonância em alguns conterrâneos. “Quando mais se afasta da floresta, mais visível ficam as árvores”. E foi mesmo assim...
Só de longe pudemos perceber a gravidade do que vem acontecendo com as instituições político-sociais do Brasil, em geral, e da nossa sociedade, em particular. Não só porque temos que fazer comparações e provar o tempo todo que também somos competentes e sérios! Mas pela constante pergunta que não sai de nossa cabeça: PORQUE não conseguimos atingir também o grau de desenvolvimento, eficiência, solidariedade, justiça, ética e patriotismo das sociedades do primeiro mundo? Muitas delas, são muito mais jovens do que a pátria brasileira!

Percebemos que não vamos conseguir sanar os problemas das partes do corpo, se a cabeça estiver contaminada e doente. Percebemos que o exemplo de uma civilização vem de seus governantes, que por sua vez, são o reflexo da própria sociedade que representam.

Mudanças só acontecerão com o comprometimento sério com a cidadania, que implica em direitos mas também deveres e muito trabalho. E VOTAR com consciência deveria ser o nosso primeiro objetivo, o melhor instrumento da democracia. Mas o trabalho duro virá mesmo na conscientização dos menos instruídos para entender esse processo. Só com políticos éticos comprometidos com o bem social poderemos buscar o segundo objetivo: a EDUCAÇÃO total e irrestrita para TODOS os brasileiros. Sem ela, continuaremos reféns de nossa própria incapacidade.

Nosso objetivo é, de fato, ambicioso, mas não ilusório. Além da troca aqui de idéias, oportunidades de trabalho e negócios, queremos discutir os problemas e sucessos da nossa “agenda nacional”. E foi para despertar em nós esta cidadania “adormecida”, que resolvemos abrir esse forum, tirar “esse gigante deitado em berço esplêndido” e colocá-lo prá trabalhar duro e defender seu país. E mais que do que tudo, precisamos de SORTE, porque TALENTO nunca nos faltou. Aberto a opiniões, sugestões, alternativas, e ações... o B.I.G está no ar!

Este blog está em fase experimental, e aberto a todas as contribuições.

Nossos princípios de ética e honestidade e objetivos do grupo estão descritos numa apresentação (pps), na página inicial do grupo no Linkedin, mas estarão postados aqui brevemente. Se você se identificar com eles, e quiser também contribuir com o seu conhecimento de vida e experiência profissional para o aperfeiçoamento da nossa democracia e sociedade, não se omita... nos ajude a reconstruir nossa nação. Obrigada a todos que apoiaram, incentivaram e contribuiram para que o B.I.G se realizasse.
Um abraço,
Maria Teresa Carneiro
Luiz Heeren
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06 setembro 2009

Um nova Alvorada


"Grande pátria desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair...”
(Cazuza, em "Brasil" 1988)

http://www.youtube.com/watch?v=z6o3KHsLn0k


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Tempo de revisão



Política brasileira em tempo de revisão
Mark A De Mello (B.I.G member)

Acho que o nosso alvo principal não é o estado como entidade, mas sim as pessoas que ocupam de forma irresponsável e leviana todas as posições com algum poder decisório na estrutura do estado, e que por conseqüência, seus atos repercutem diretamente na vida dos cidadãos. Temos que conseguir criminalizar estes desvios, responsabilizar e atingir o próprio indivíduo que faz parte do sistema, acabar com a impunidade e com a imunidade do foro privilegiado de alguns, independentemente da posição ocupada na estrutura do estado, e em qual dos três poderes ou empresa pública ocupa cargo. Estas podem ser pessoas eleitas pelo povo para os seus cargos, funcionários concursados de algum poder público, ou até mesmo indicadas e nomeadas para cargos de confiança. Também não devemos nos esquecer dos funcionários das empresas e ONGs que terceirizam serviços públicos, ocupando função do estado e desviando recursos numa questionável legalidade.

Enfim, todo mundo que lida com a coisa pública precisa ter certeza que pode ser cobrado, fiscalizado e punido exemplarmente quando pratica atos que vão contra o interesse público. Por outro lado, sabemos que o estado como entidade dificilmente paga o que deve, mesmo após ter sido condenado por todas as instâncias judiciais, estas dívidas são os famosos títulos precatórios, que são empurrados de uma gestão política para outra. Esta aí um exemplo claro onde existe a falta de criminalização do indivíduo que manda não pagar o precatório.

É indiscutível que a criação dos guetos dentro das favelas criou bolsões de violência, mas quem deixou as favelas se formarem foram os próprios políticos e outros ocupantes do poder público, inclusive da própria justiça e do ministério público que sempre permitiram e por vezes apoiaram as invasões destas áreas. A estes interessa criar e manter currais eleitorais para vender facilidades em troca de votos, interessa manter um estado ineficaz para com isto abrir espaço e vácuos de poder e então criar centros sociais e ONGs que substituem a sua presença e ocupá-los com serviços sociais e outras atividades, num eterno ciclo vicioso de exploração da miséria com corrupção e poder. No pós-guerra havia um sentimento comum entre o povo e os líderes políticos, para a reconstrução das pátrias invadidas e lares perdidos, entre outras desgraças, muito diferente do nosso caso, melhor dizendo do descaso, mas que depois gerou o uso político destas minorias como massa de manobra.

Considerando a realidade atual com o regime presidencialista e de voto obrigatório (com o que não concordo necessariamente), repito que acredito muito na nossa influência através de uma participação direta em cargo eletivo ou então através de organizações e entidades não governamentais que tenham forte apoio de grupos econômicos, para poder cobrar de quem de direito. Infelizmente, a grande massa votante não está acostumada a cobrar e a reclamar seus direitos e, além disto, muitos se acostumaram às mazelas politiqueiras e as encaram como uma coisa normal e compactuam com o jeitinho e com a lei de Gerson.

O tema é extenso, de solução complexa e de longo prazo, mas acredito que precisamos atacar o que está mais próximo de nós, cobrarmos do ministério público e da justiça, cobrar dos vereadores, deputados, prefeitos e governador, mas para isto é preciso, além da manifestação individual de cada um, que haja união e fortalecimento de instituições não governamentais com muita força, articulação política e recursos.

Basta ver a atual crise do senado, para se ter uma dimensão da gravidade do assunto, tudo parte do cume, ou melhor, do planalto central. Infelizmente, aqui se rasga a constituição a todo o momento e o nosso sistema jurídico Romano, não contribui em nada para a celeridade das soluções e muito menos das condenações como no Anglo Saxônico adotado nos EUA. Se Madoff estivesse aqui no Brasil, ainda estaria livre e respondendo em liberdade eterna, como Maluf, Jader, Sarney, Dantas e tantos outros.

Em tempo, não podemos nos esquecer da necessidade de um novo e atual código penal e de processo penal, que traga punição rápida, eficaz e exemplar. Além disto, temos que acelerar a reforma dos sistemas de gestão carcerária, dos mutirões para revisão de penas dos que estão presos e de uma política para construção de novos presídios públicos e privados, que sempre contemple atividade laboral para os apenados.

Sobre a impunidade x imunidade parlamentar, vejam o que a CCJ aprovou na surdina, o PL 3778/08 do deputado Paes Landim do PTB- Piauí. Querem o foro privilegiado só para eles!!!

Agora mesmo está no senado o famoso Projeto de Reforma Eleitoral, estão votando na nossa cara pela manutenção dos candidatos FICHAS SUJAS na disputa e nos cargos, até o seu julgamento em última instância, inclusive contra o parecer do ministro Ayres Brito, presidente do TSE e desembargador/ministro do STF; estão regulamentando a propaganda na Internet e proibindo críticas no período eleitoral (CENSURA) não adianta, só com Mandato de Segurança e muitas medidas judiciais para coibir estes caras, precisa muita grana!

Os grandes advogados não vão trabalhar de graça por uma causa, pois os réus de hoje são os clientes de amanhã! Além disto, advogar para bandido rico cheio de dinheiro sujo é o que mais dá dinheiro ao pessoal inscrito na OAB.

HOJE:
Gabeira propõe desobediência às regras!
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/09/03/reforma-eleitoral-no-twitter-gabeira-propoe-desobediencia-as-regras-que-restringem-campanha-politica-na-internet-767450964.asp


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04 setembro 2009

A Brasília de JK

"Lula nem faz ideia de quem foi JK"
Augusto Nunes

O presidente Juscelino Kubitschek foi o que o brasileiro gostaria de ser. O presidente Lula é o que a maioria dos brasileiros é. Incapaz de folhear biografias, sem paciência nem disposição para estudar a História do Brasil, Lula não faz ideia de quem foi o antecessor. Mas gosta de comparar-se a JK. Primeiro, apresentou-o como exemplo a seguir. Não demorou a descobrir-se, como reiterou no fim de semana, bem superior ao modelo (e infinitamente melhor que todos os outros).
Sedutor, inventivo, culto, cosmopolita, generoso, amante do convívio dos contrários, Juscelino não gostaria de ser comparado a um chefe de governo falastrão, gabola, provinciano, que odeia leituras, inclemente com adversários, a quem culpa por tudo, e misericordioso com bandidos de estimação, a quem tudo perdoa. Ambos nasceram em famílias pobres, ultrapassaram as fronteiras impostas ao gueto dos humildes e alcançaram o coração do poder. Esse traço comum abre a diminuta lista de semelhanças, completada pela simpatia pessoal, pelo riso fácil e pela paixão por viagens aéreas. Bem mais extensa é a relação das diferenças, todas profundas, algumas abissais.
O pernambucano de Garanhuns é essencialmente um político: só pensa nas próximas eleições. O mineiro de Diamantina foi um genuíno estadista: pensava nas próximas gerações. Lula ama ser presidente, mas viveria em êxtase se pudesse ser dispensado de administrar o país. Bom de conversa e ruim de serviço, detesta reuniões de trabalho ou audiências com ministros das áreas técnicas e escapa sempre que pode do tedioso expediente no Palácio do Planalto. JK amava exercer a Presidência, administrava o país com volúpia e paixão ─ e a chama dos visionários lhe incendiava o olhar ao contemplar canteiros de obras que Lula visita para palavrórios eleitoreiros. Lula só trata com prazer de política. JK tratava também de política com prazer.
O país primitivo dos anos 50 pareceu moderno já no dia da posse de JK. Cinco anos depois, ficara mesmo. O otimista incontrolável inventou Brasília, rasgou estradas onde nem trilhas havia, implantou a indústria automobilística, antecipou o futuro. Cometeu erros evidentes. Compôs parcerias condenáveis, fechou os olhos à cupidez das empreiteiras, não enxergou o dragão inflacionário. Mas o conjunto da obra é amplamente favorável. Com JK, o Brasil viveu a Era da Esperança.

O país moderno deste começo de milênio pareceu primitivo no momento em que Lula ganhou a eleição. Seis anos e meio depois, ficou mesmo. As grandezas prometidas em 2002 seguem estacionadas no PAC. As estradas federais estão em frangalhos. A educação se encontra em estado pré-falimentar. O sistema de saúde é lastimável. A roubalheira federal atingiu dimensões amazônicas. Mas Lula está bem no retrato, reiteram os institutos de pesquisa.
Talvez esteja. Primeiro, porque milhões de brasileiros inscritos no Bolsa-Família são gratos ao gerente do programa que os reduziu a dependentes da esmola federal. Depois, e sobretudo, porque o advento da Era da Mediocridade tornou o país mais jeca, mais brega, muito menos exigente, muito menos altivo.
Nos anos 50, o governo e a oposição eram conduzidos pelos melhores e mais brilhantes. O povo que sabia sonhar sabia também escolher melhor. Mereceu um presidente como JK. No Brasil de Lula, mandam os medíocres. O grande rebanho dos conformados tem o pastor que merece.
Fonte: Revista Veja, 15 de junho de 2009
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E a afronta continua



Aos amigos brasileiros, que vivem no Brasil ou expatriados em algum lugar remoto desse mundo...
Estou angustiada e muito preocupada com os eventos na nossa terra! De longe, então, tudo ganha uma conotação mais aberrante e lastimável...

Tenho encontrado blogs, livros, artigos, informaçoes fartas na Internet, em jornais e revistas. Artigos indignados todos muito bem escritos e descritos. Como eu admito somente 50% do que leio na mídia, eu pergunto? ESTÁ MESMO ACONTECENDO TUDO ISSO NO BRASIL? Por quanto mais tempo vamos continuar SÓ reclamando, escrevendo e culpando o mundo por nossas mazelas? Qual é o fundo do poço que o brasileiro precisa chegar para dizer “BASTA”!

Somos mesmo tão covardes? incompetentes? apáticos? alienados? palhaços? Não posso acreditar!!! O que estamos esperando pra fretar centenas de onibus e acamparmos todos na frente do Planalto? Um "Woodstock" à brasileira, sem música, só cantos e coros pedindo o julgamento dos culpados e corruptos no Congresso. Só uma população EM BLOCO tem esse poder!

Precisamos sair do discurso bonito e partir para ações práticas, pacíficas, e aparadas nos recursos jurídicos e consitucionais. Só assim teremos condições reais de mudar esse país. Vontade política já vimos que carecemos. Que então venha a vontade do povo. Como?

1) A curto prazo (agorinha) - engrossando o coro da insatisfação geral, se juntando aos estudantes e cidadãos que já começam a se manifestar, FRETANDO filas de onibus e acampando em frente ao Planalto... de novo! Panelaço, buzinaço, passeatas, tudo pode chamar a atenção para a nossa insatisfação. Nada tem mais apelo prá mídia, nacional e internacional, do que esse "boicote" público. E EXIGIR o julgamento e destituição dos cargos do SARNEY, RENAN, desse SENADOR PAULO DUQUE (que de ética não conhece nem no dicionário!) E DE TODOS OS CORRUPTOS DE BRASILIA. Se possível, levando junto o “grande capitão” LULA, que NÃO vê e NÃO ouve nada e só fala o que lhe convém. Que busquemos os recursos que a democracia nos proporciona para conseguirmos realmente apear estes senadores e deputados que se agarram e achincalham o poder imerecido.

2) Alterar juridicamente o código eleitoral já para a próxima eleição com três exigências básicas: a) preparação profissional e/ou funcional para o cargo a que se candidata; b) folha “ilibada” de bons antecedentes, vetando candidatos envolvidos em qualquer processo; c) permitir que votos NULOS e EM BRANCOS sejam computados como VOTOS CONTRA os candidatos apresentados. Se atingirem 50% de votos, novos candidatos terão que ser escolhidos até que a população esteja segura e satisfeita com os escolhidos. Num país onde a abstenção é notória devido ao estado de descrença e desesperança no sistema, este recurso traria um contra-peso à eleição. Isso seria um recurso temporário e necessário para essa próxima eleição. Quando a confiança no sistema eleitoral brasileiro for resgatada de fato, haverá muito poucos votos nulos ou em branco, e a cidadania será finalmente espontanea e praticada com orgulho no país.

3) A médio prazo (daqui um ano) - começar HOJE a campanha de conscientizaçao nacional, pregar cartazes nos POSTES de todas as cidades, com o nome e a ficha completa das falcatruas do Congresso, para que até os "analfabetos" tenham vergonha de votar neles o ano que vem. E se eles vierem oferecer uma “cesta básica” pelos votos dos ignorantes, nós estaremos lá, oferecendo DUAS cestas básicas para eles votarem CONTRA! A luta para restaurar a ética, a honestidade e a competência neste país está só começando...

Que as eleições de 2010 sejam por si só um marco da regeneração do Brasil. Só depende de nós, de nossa união para fazermos uma grande conscientização junto à população. Se cada um começá-la pelo seu condomínio, escola, ou bairro, já terá contribuído e reforçado os elos dessa corrente. Espero que meu apelo ganhe ressonância aqui...

- Tess -

Maria Teresa Carneiro
NYC - Rio
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Intocáveis e Invencíveis

Nelson Motta

Não tenho mais nenhuma ilusão de um dia ver algum desses criminosos travestidos de parlamentares atrás das grades e devolvendo o que nos roubou. Eles são muitos, e invenciveis. Sob fogo cruzado de denúncias, juntam-se para se defender, como fizeram PT e PMDB no Senado, embora digam sempre que é pela instituição, a mesma que eles aviltam e apequenam com seus atos. O dinheiro roubado de nossos impostos, teoricamente, pode até ser recuperado, mas o crime de desmoralizar uma instituição não tem preço.

O que nos resta? Confiar na Justiça? Na Polícia? No ladrão ? Com Sarney e Renan comandando o Senado e espantados com a descoberta das 181 diretorias? A maior parte foi criada pelos dois. O resto, por Jader Barbalho, ACM e Lobão. E pior. Foram criadas por resoluções da Mesa e ninguém reclamou. E mesmo se reclamasse não adiantaria nada. Tudo dentro da Lei, na liturgia do cargo.

Seria um exagero comparar as disputas pelo poder no Congresso com as guerras de quadrilhas pelos pontos de venda de drogas nas favelas cariocas? Só porque uns vendem crack e cocaína e outros, privilégios e ilegalidades? Guerra é guerra, vale tudo na disputa pelos pontos de poder. Se um tiroteio é de balas, o outro é de números e nomes; mas sempre sobram balas perdidas.

Mas, quando o cerco aperta, os dois bandos acertam um armistício: o verdadeiro inimigo é a Policia. Ou, no caso do Senado, a opinião pública. Porque eles não temem a polícia. Nem a justiça.
Eles só tem medo de perder eleição.

Diante do pacto de não agressão entre os dois bandos, resta-nos confiar nos ódios, nas invejas e nos ressentimentos das legiões de apadrinhados que estão perdendo a boca e se vingando de seus traidores. Que muitas falas perdidas encontrem seus alvos.

Diante da certeza de que eles vencerão, que jamais pagarão por seus crimes, que continuarão ricos e corruptos, e até mesmo respeitáveis, resta-nos ridicularizar suas figuras toscas, seus figurinos grotescos, seus cabelos tingidos, suas caras botocadas. Para que suas esposas e amantes leiam, e seus filhos se envergonhem deles no colégio. Como nós nos envergonhamos todo dia.
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02 setembro 2009

Quem quer ser político no Brasil?

Política é uma ciência intrigante e desafiadora.

INTRIGANTE, porque lida com todos os aspectos que compõem a formação de poder e autoridade do homem desde que se agrupou em comunidades e seus paraxodos. Ela define conceitos como a liberdade, ética, carater e reputação aos seus praticantes. Ela forma homens para serem bons líderes, corretos e empreendedores, mas muitos degeneram e endossam a ditadura ou caudilhismo. E como o poder muitas vezes mais corrompe do que constrói, a política pode se transformar numa terrível arma opressiva sobre a população que elegeu os políticos errados.
DESAFIADORA, porque o envolvimento com a política coloca os princípios morais dos homens constantemente à prova. Ser político é ter que encarar as polêmicas zonas “cinzas” sem trair suas convicções, já que política não enxerga só em preto e branco; É ter que constantemente reafirmar seus conceitos e valores durante todo o seu mandato; É ter que fugir das armadilhas do poder que abre todas as portas, da riqueza obscura, da apropriação indevida do alheio, da sedução das mordomias e mesmo assim manter a sobriedade; É ter que cultivar a fidelidade aos amigos e partidários sem cair na tentação do luxo fácil e das atitudes dúbias.
Convenhamos, reger os tons dessa orquestra não é uma tarefa nada fácil. Entretanto, muitos países que conseguiram atingir a harmonia dessa orquestra, são hoje sociedades mais justas, organizadas e consequentemente mais desenvolvidas. Num polo oposto, encontram-se outras que se estagnaram ou foram cruelmente descaracterizadas, e assim, não conseguiram de aperfeiçoar. O espantoso dessa situação é constatar que toda uma população pode permanecer presa nessa engrenagem perversa do sub-desenvolvimento por gerações!
O destino de tantos concentrados nas mãos de tão poucos políticos corruptos e descomprometidos com o bem social de seu próprio povo. O crescimento de uma nação é proporcionalmente relacionado com o grau de corrupção de seus governantes e o nível de educação de seus eleitores. Uma sociedade educada, instruída e engajada elege representantes políticos que são o reflexo da capacidade empreendedora de seu povo.
Mas quem quer ser político no Brasil? Será que somente aqueles que se sentem atraídos pelo enriquecimento “fácil” (e ílicito) buscam as urnas nesse país? Vejam o resultado de uma pesquisa feita pela Datafolha, neste artigo do jornalista Gilberto Dimenstein da Folha de São Paulo. A triste realidade da nossa juventude brasileira...
- Tess -
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Quem quer ser um político?
Na quarta-feira passada, o rapper Afro-X cumpriu seu último dia de uma pena de 14 anos - sete deles no Carandiru e o restante em liberdade condicional- por assalto à mão armada. Comemorou a data lançando uma autobiografia, intitulada "Ex-157", para tentar explicar como um jovem é seduzido pelo crime. Entre as inúmeras razões, segundo ele, destaca-se o político brasileiro. "Eles transmitem a sensação de que o crime compensa. São tantas as acusações e parece não acontecer nada." Afro-X escreveu o livro para mostrar que, pelo menos para os pobres, a criminalidade invariavelmente acaba em três "C"s: cadeia, cadáver ou cadeira de rodas. "Quando entrei para a bandidagem, tinha certeza de que, com minhas armas e dinheiro, sempre ia me safar."
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha no ano passado mostra que essa visão é disseminada em toda a juventude brasileira, rica ou pobre - e acaba provocando um descrédito à democracia, ojeriza à política e até tolerância com a desonestidade. Na visão dos brasileiros entre 15 e 25 anos, a desonestidade, segundo o Datafolha, está em primeiro lugar, empatada com a violência, na lista dos maiores problemas brasileiros. Vence, com folga, o desemprego e a miséria.
Essa pesquisa é especialmente valiosa diante da enxurrada de notícias sobre desvios que se acumularam nas últimas semanas. Quanto menor a mazela, mais compreensível pelos cidadãos - e, por isso, gera ainda mais indignação. Misturam-se num só saco abusos com passagens áreas que envolveram de Adriane Galisteu a Fernando Gabeira, em meio a denúncias de que gabinetes de parlamentares negociavam bilhetes como se fossem agências de viagem.
Revelou-se que estudantes de famílias ricas foram beneficiários das verbas do Prouni -algumas delas teriam carros importados. Um ministro é acusado de ter um motorista particular pago pelo Senado; um deputado manteria sua empregada doméstica na folha de pagamentos da Câmara. Para completar, o presidente do Supremo Tribunal Federal é acusado, em atrito durante uma sessão transmitida ao vivo, de ter capangas em terras do interior do país.Todas essas notícias, recorrentes há tantos anos, ajudam a explicar a mais trágica das respostas dos jovens ao Datafolha: 74% não têm "nenhum" interesse em participar dos partidos. Outros 18% disseram que teriam "pouco" interesse.
A pergunta óbvia: como poderemos ter uma democracia representativa se a elite do país não se interessa pelos partidos? Se a percepção dos jovens, como demonstra a pesquisa, é a de que a atividade política está atolada irremediavelmente na lama, quem se interessaria em ser deputado ou senador? Talvez aqueles interessados em tirar proveito da vida pública?
Entraríamos num círculo vicioso em que os honestos não fazem política porque seria um campo dominado por ladrões - mas, sem os sérios para ameaçá-los, os picaretas não correriam risco de perder suas vagas. Estamos metidos num impasse que apenas um segmento pode liderar: os próprios políticos. Mas, por enquanto, pouca gente, especialmente jovem, parece disposta a ouvi-los.
PS - Morei 13 anos em Brasília, onde vivem os bastidores da política. Não acredito que a situação esteja pior do que antes. Não é a política que ficou mais ou menos desonesta, mas o país que ficou mais atento. Disseminaram-se, em todos esses anos, vários mecanismos de controle, ampliados pelas novas tecnologias de informação. Antigamente, havia diversos orçamentos, com imensa liberdade de ação ao Executivo.
A farra dos bancos oficiais e das estatais era várias vezes maior do que hoje -até porque havia mais bancos e estatais. O Ministério Público só ganhou poderes, de fato, na democracia. Criaram-se marcos históricos como a Lei da Responsabilidade Fiscal. É muito mais fácil hoje acessar, destrinchar e divulgar detalhes das contas públicas. O sistema democrático fez muito mais para controlar os recursos públicos, denunciando e até punindo falcatruas, do que o regime militar. Foi nesse ambiente que se conseguiu compatibilizar liberdade, estabilidade econômica e crescimento com um início de distribuição de renda.
Essa parte da história, feita por políticos sérios, também precisa ser contada, para que os mais jovens não desacreditem da democracia e da política.

Gilberto Dimenstein, 27 de Abril de 2009

(http://aprendiz.uol.com.br/content/todorejoso.mmp)

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